Universidade para a Ilha do Fogo. Sim ou não?

Ensino superior para a Ilha do Fogo.

Muitos têm sido os defensores deste iminente acontecimento – o ensino superior para a Ilha dos senhores doctores Henrique Teixeira de Sousa, Minó de Mama, Pedro Cardoso.

Há, algum tempo, tive a oportunidade de fazer publicar algumas ideias e possíveis soluções para o desenvolvimento da Ilha do Fogo. Não sendo para menos, deparo hoje que há rigorosamente necessidade de recarregar as energias, debatendo mais profundamente o tema. É que, parece-nos unânime que a 2.ª maior ilha do Sotavento já deveria estar servida com universidade há anos, mas afinal porque ainda não foi possível? Perguntam a maioria. Pergunto Eu. Há muito!

Ilha do Fogo

Vulcão da Ilha do Fogo

O povo da Ilha do vulcão demonstrou-se capaz e envolvido na resolução dos problemas que assola (u) o país desde sempre e, por muitas outras razões,  vem  reclamando sistematicamente um centro de ensino qualidade, e, superior público (…). Para todos.

Talvez por ser uma ilha em cuja tradição política não ameaça o poder da decisão. Nunca ninguém (políticos) teve (tiveram) interesse em investir no ensino como deve realmente ser – ensino de qualidade.

O povo da Ilha vem exigindo uma universidade; mas para a ilha do Fogo (segundo decisores) – há sempre problemas, ou porque dizem não ser possível, tendo em conta os custos avultados (no ensino há apenas investimentos… não há gastos!), ou porque não é a ilha principal… Enfim. Assim, foi-se a deixando afogar o sonho dos foguenses  de há anos… Sonhos esses que os meus país gostariam de ver concretizada – ao menos no papel. Assim vamos nós, provocando a morte do crescimento e desenvolvimento da ilha, comprometendo desta miséria forma todo o processo de geração de riqueza no médio/longo e, consequentemente,  pestamos a penalizar o perfomance do país como um todo.


Porque uma Universidade…

A Ilha vem sendo uma das mais importantes do país em termos de produção da riqueza per capita (digo isso, apesar de não haver estudos empíricos e rigorosos sobre este tema) … sobretudo nos sectores formais mas também,  como não deixa de ser,  na informalidade (economia paralela). As pessoas da ilha têm revelado verdadeiras capacidades em surpreender e desafiar o desenvolvimento do país, primeiro porque é (talvez) a única ilha que tem mais empresários por mil habitantes em todo o arquipélago, depois porque detêm mais metade das riquezas que o país consegue produzir anualmente (PNB) – Segundo, Dr. Marcos Rodrigues, empresário e consultor, “os foguenses detêm mais de 70% das riquesas nacionais” (Pensar Ilha do Fogo, conferência 2012).

Mas então, pergunto: porque é que estamos lá atrás… Atrás de todas as outras ilhas? Atrás, também estamos nós quer em nível do desemprego, da educação e do ensino superior, das oportunidades de emprego qualificado ou ainda na absorção dos investimentos no país (IDE)… Ah também estamos à frente (mas pelas piores razões), pois estamos na vanguarda em termos da pobreza, desigualdade de géneros e, enfim, tantos outros problemas… Quanto a estes últimos índices sociais – muitos demonstram-se invictos e, por isso, bloqueados. Sobretudo os políticos e  companhia… Nunca os vi preocupados, agindo, no sentido de mitigar os efeitos (que contagia). Aliás, preocupados estão (visivelmente) mas isso não chega, ou seja, deve-se mostrar sim esse estado de espírito mas fazendo alguma coisa que possa de facto produzir melhorias  a nivel de bem estar social.

Voltando um bocadinho à questão à trás, para reforçar a ideia de que torna-se cada vez mais necessário uma forte investimento no processo de desenvolvimento educacional na região – possibilitando e dotando às pessoas de condições técnicas e cientificas, para, desta forma, puderem dar um maior contributo ao desenvolvimento da Ilha, catapultando-a, por isso, para um lugar que é-lhe merecido e digno no contexto nacional.

Não, Eu não me conformo…

Quando abordo esta questão com alguns actores políticos, demostram-se  quase sempre encravados numa resposta que é, por si só fechada e bloqueada… ou seja morta!
Vejam: um deles dizia-me assim “a ilha do fogo não está preparada para receber uma universidade” Perguntei – Então mas porquê? Por que… enfim, não temos Doutores e outras coisas importantes, sabes… Respondi, perguntando. Ah sim, e então o capital do país tinha-os aquando da criação das Universidades? Ele respondeu-me ”Não, mas capital é capital…hahah”
Quer dizer, a ilha não tem condições (tal como outras) mas atenção… universidades noutras ilhas sim! No Fogo é que não… Ah esqueci-me de dizer-vos que essas ideias, na maioria das vezes, vem daqueles que representam o povo da ilha na Assembleia Nacional – chamam-nos de deputados… Porque defendem os interesses dos povos que os elegeram, entende-se isso? Pronto é isso… mais nada… Eu sei que você sabe que eu sei que comprendeu, não é? Pois…

Bem, ainda assim, depois de quase todas as ilhas terem universidades (refiro-me as três ilhas mais importante em termos da história do País), digo-vos que vale a pena programarmos um centro de ensino superior para a Ilha de Minó de Mama, mas deve-se apostar, na minha mais modesta opinião, num rigoroso modelo e com a mais alta qualidade e excelência no ensino, caso contrário – deixam a vida nos levar!

Não posso deixar de relançar uma questão que igualmente cativa-me a atenção, é que, estamos, na minha opinião, completamente bloqueados em torno das decisões do Governo, assim, perguntava aos leitores, mas afinal porque tanto esperar pela cooperação com o Estado? Então e o privado? Porquê que ainda os Privados não instalaram na Ilha uma Universidade?

Penso e devo aqui reforçar a ideia de que é fundamental que privados veêm isso não como um problema mas sim uma oportunidade de negócios (com real potencial de crescimento a longo prazo). Confesso existir uma elevada aversão ao risco dos grandes empresarios e acreditam, racionalmente ou não, que ao investirem podem não obter return on equity tal como esperam e, por isso, apoiam, em parte, nos factores incontroláveis sob freerider effect.

Ao governo, é-lhe responsabilizado todo o processo de criação de um ambiente doing businessque seja confortável, mas atraente, e, por isso, este deve promover o desenvolvimento do sector, mas  este não tem que apostar apenas numa realção de parceria, pois pode-se estar proporcionar uma “bengala” que pode não ser sustentada.

(…).

Aos privados, faltam-lhes… entre muitas outas coisas, disvincular-se da bengalinha….


Que universidade?

Todas as áreas? Talvez, não! Ou melhor, sim, caso em que essas áreas cumpram os mais elevados padrões de qualidade no ensino. Ensino. Superior. De qualidade. Sim!

Eu estou convencido de que a ilha deve aproveitar aquilo que é capaz fazer de melhor, i.e., devemos dar prioridades ao ensino em áreas em cuja ilha tem sido apontada como um berço do arquipélago, estamos naturalmente a referir-nos das áreas que possibilitem o maior desenvolvimento da criatividade e inovação (challenge enterprises). Assim, parece-nos justo afirmar, com elevada probabilidade, de que vale a pena apostarmos, p.e., nas ciências económicas e engenharias aplicadas, sendo que, este último, focado essencialmente nas novas TIC – nomeadamente,  desenvolvimento de aplicações, soluções empresariais adaptadas ao contexto, e portando todas as áreas que possam de facto potenciar e fazer explorar sobremaneira a nossa capacidade de empreender e de contagiar as gerações para a importância de investirmos nestas áreas.

Nesta linha de pensamento, também devo reservar um espaço para amplamente concordar com o Eng.º Nuias Silva quando ele referiu, numa conferência, que a ilha tem condições privilegiadas para ter um centro de investigação nas ciências vulcânicas…

Deve a Ilha do Fogo ter uma universidade? Eu acho que sim e devo aqui uma vez mais reforçar esta ideia, porém falta-nos apenas compreender o caminho a percorrer até lá… mas também há aqui uma questão que tem revelado grandes confusões, ou seja, quando? Mas eu digo-vos com toda a certeza, se apostarmos em qualidade e excelência, teremos espaço e tempo para implementá-la ainda que fosse hoje.

Quando? Na verdade a ilha deve estar aberto e flexivel à implementação da universidade à qualquer altura, sendo certo que, tendo em conta a competetividade comparativa, deve-se procurar não estender muito mais o tempo. Por isso, penso, salvo todas as condicionantes, que a ilha deve a receber pelo menos até 2016.

Tenho é sérias dúvidas, quando dizem-me “estão a ser dados os primeiros passos”, é que se esses passos forem iguais aos das “tartarugas” caretta-caretta parece-me então que não irão valer a pena o sacrifício. Estamos todos os dias a perder tempo e espaço em favor das outras ilhas, por quê? Nós estamos sempre a dar os primeiros passos… ao contrário doutras Ilhas que já andam há muito… e, portanto, vamos nessa, infelizmente. Atropelando. Todos os dias. Passo a passo. A dar os passos.

Eu penso que todas essas dificuldades que estão neste momento a atormentar a Ilha devem-se ao facto, em boa parte, a não existência de programa coeso e flexível de desenvolvimento regional – projetado para (médio) longo prazo; ou melhor, dizendo, não sabemos para onde vamos e, por esta via encurvada, andamos às voltas, ora com a liderança A ora com B – cada um, por seu turno, a apontar o dedo ao poder central e tal.


Pessoal


Mas afinal, temos ou não profissionais competentes para viabilizar esta proposta? Parece-me que sim, aliás nunca os teremos, verdadeiramente. Tanto é verdade que o ser humano nunca está satisfeito com o conhecimento (ainda bem) e, assim, penso que há que desenharmos os caminhos que todas as outras universidades fazem (ou já fizeram), i.e., procurar o reforço do conhecimento todos os dias, não temos que necessariamente explorar o conhecimento apenas com os profissionais cidadãos nacionais e nem é aconselhável que assim o seja, assim pensa-se que, considerando o projeto, vale a pena procurar estabelecer fortes parcerias com os países com maior avanço em termos de produção de conhecimento cientifico.

Mas ainda assim temos jovens já muito bem qualificados e que frequentam (ou já terminaram) níveis de ensino bastante elevado. E já são muitos que detém a categoria Doutor (Ph.D.) e muitos mais Mestrado (MSc) nas melhores universidades do mundo.É verdade!

Recordo que, hoje, temos jovens nas melhores universidades portuguesas e que pontuam ao mais alto nível, temos alunos muito aplicados nas universidades brasileiras, nos USA, França, Holanda, Alemanha, China, Inglaterra e naturalmente em muito outros países com os quais o arquipélago faz parcerias de cooperação a nível do ensino superior… e, portanto, pensa-se que há aqui possibilidade de partilhar ciência e produzir saberes.

Os académicos que detém ou frequentam o ensino superior no país (ou na Diáspora) é ainda incipiente, (Existiam em Cabo Verde no ano lectivo 2010/11 mais de 11765 alunos distribuídos nos 9 estabelecimento de ensino superior (apenas 1 univesidade pública e 8 privadas)), contrariando assim “opiniões” de muitos. E o país deve aproveitar esta fase de desenvolvimento que atravessa para assim fortalecer o ensino superior, criando possibilidades de produção de conhecimento à grande escala, para, desta forma, preparar o país para os reais desafios que o futuro nos aguarde.

Neste momento apenas as duas maiores ilhas têm universidades – Santiago e São Vicente. Santiago, (com a população fixada em 273.919 habitantes, o que corresponde a 56% do país das mornas) por dizerem albergar o capital, e, logo, sem nada mais a acrescentar, deve merecer universidades antes de todas as outras ilhas; e São Vicente tem uns tantos universidades e centro de estudos superiores porque não  deixou o sonho e o orgulho do seu povo ir para a água abaixo. Mas há que reconhecer logicamente o seu potencial e o enorme contributo que tem facultado a CV! São Vicente é o 2.º maior centro urbano do país com 15,5% da população do país o que corresponde cerca de 76.107.00 habitantes. É indiscutível que tivesse universidades. Concordo.

Apesar de a Ilha do Vulcão ter menos população residente (com 37.051 habitantes cerca de 8% da população do País) não deixa de ser importante integrá-la nas redes de universidades cabo-verdianas.  Apesar dos 7% de jovens em idade convencional de acesso (18 -22 anos) ao ensino superior apenas 4,1% fazem parte do ensino superior no país, o que está muito abaixo, por exemplo,  da Ilha de Santo Antão que tem 8% da populção em condições normais para acesso ao ensino superior mais de 13,5% fazem parte dos alunos a frequentarem o ensino superior no País.

Não se deve mergulhar na ideologia do “advogado do diabo”… Não se pode desenhar uma universidade que sirva apenas aos foguenses, ou a inda a região Fogo e Brava, nem tão pouco a cabo verde como um todo, mas sim posicionar como um centro de conhecimento transversal e internacional. E, portanto, não nos podemos fachar em volta de nós mesmos. Porque por esta via, não vamos longe. Não. Acreditem!

Não se conhece as verdadeiras intensões do governo quanto a esta matéria, que tudo indica, não está ainda a ser considerado estratégico para a ilha. Prefere-se, como já é prova, gastar ao invés de investir e, por isso, fazer obras e voltar a fazer. A mesma obra. Todos os anos. Lembrei-me do porto de “barcabalero” ou ainda das infraestruturas rodoviarias, que, como já se sabe, faz-se hoje de forma a possibilitar que elas cedem com as enchuradas, gastanto mais e mais e mais…
Mas… Críticas a parte e, agora falando a sério, uma universidade para a Ilha do Fogo – já, já, já…!

P.S.: A população do Fogo tende-se a decrescer até ao infinito se nada em contrário for feito. Como fazer crescer a população e atrair mais habitantes?

NB: Quando referi-me à universidade, incluo universidades, pólos superiores, instituto superior, escolas , etc..

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Bibliografia rápida.

Instituto Nacional de Estatistica  – ine.cv
Banco de cabo Verde – bcv.cv

Ministério do Ensino Superior e Ciências da Inovação em – mesci.gov.cv

https://www.facebook.com/groups/pensarfogo/
http://pensarfogo.wordpress.com/

pensarilhadofogo (canal youtude e no facebook)

Economist.

Adérito Barros.
ab@sapo.cv

By MrBarrosw

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