Marijuana legal. Para quando?

padjinha cabo verde

Combater a comercialização ilegal e o “consumo” das drogas em Cabo Verde sempre foi uma das principais preocupações das nossas autoridades competentes, conjuntamente, com a colaboração fugaz dos diversos parceiros públicos, organizações não governamentais (ONG) e instituições particulares mas também em especial as famílias.

Depois de todos esses anos de árduo trabalho no terreno, conseguiu-se pôr atrás das grades muitos milhares de pessoas à margem da lei (ou não!). Porém, aquele que parecia o exemplo, já não o é. Ou melhor, é, mas não chega. Pois continuam a suceder casos semelhantes a cada segundo. Mas porquê? Estará a falhar alguma coisa? Sim.

O problema maior é que continua a aparecer, a cada dia, novas gentes “marginalizadas” a procurar cultivar a padjinha** e leva-la à comercialização no mercado subterrâneo, mesmo sabendo da sua ilegalidade e das pesadas consequências que podem suceder através dos processos judicias.

Esta droga já prejudicou (prejudica) milhões de pessoas em todo o mundo, inclusivamente já provocou a morte e continua a abrir o caminho à infelicidade de centenas de pessoas transversalmente. Não porque esta droga é perigosa, mas porque quem a consome não terá controlo sobre si mesmo. Muitas vezes, consumir esta estupefaciente é vista como abrir caminhos para o consumo de outras drogas com efeitos colaterais imprevisíveis, assim os consumidores regulares se deixam levar pelas drogas mais “pesadas” o que pode provocar situações mais críticas e no limite, ditar a morte da pessoa em causa.
Fumar padjinha (Marijuana) é uma prática ancestral e milenar e, por tanto, não irá nunca deixar de ser usada, pelo contrário iremos ter cada vez mais consumidores em todo o mundo (estando certas as tendências).
As pessoas procuram esta droga por variadíssimas razões. Umas vezes para tentar minimizar o stress, o cansaço, o isolamento, a contradição e outras vezes de natureza inteiramente pessoal. Sabe-se que todas as classes sociais e gerações tiram de alguma forma proveitos dessa planta medicinal, seja através dos fumos, como medicamente, em misturas ou noutras circunstâncias atendíveis.

Fumar marijuana em Cabo Verde não é crime, como não o é em maioria dos países. É, no entanto, crime e punível com pena de prisão efectiva a quantidade que o indivíduo tenha para, alegadamente, auto-consumo; isto para não falar na sua comercialização. Mas há uma questão pah (…). É que quem a consome precisa comprá-la ou adquiri-la de alguma forma, ou, ainda, podendo auto-cultiva-la. Mas essa última forma mencionada é expressamente punida com penas de prisão efectiva, em caso de prova. Claro! Portanto: Fumar sim, vender não. Não funciona, simplesmente. Alguém terá que a cultivar para que ela possa ser consumida, forçado por lei a faze-la de forma ilegal. Pois, não existem em Cabo Verde qualquer regulamentação, lei ou Normas que permita a produção e distribuição daquele estupefaciente. É ILEGAL.


Sabe-se que é consumida em todo o Cabo Verde, e, portanto, há imensas gentes a cultivá-la – não tenhamos dúvidas, pois claro que não.
Mas a questão aqui não é saber se as autoridades sabem o não, ou, ainda que medidas de combate, pois são coisas deles e, portanto, deverão saber melhor do que ninguém como resolver tais inconformidades e ilegalidades. Sabemos que é uma droga potencialmente importante para efeitos medicinais, também, sabemos que Cabo-Verde tem clima excepcional a nível global para o seu cultivo (…); experimento-me em dizer que Cabo Verde tem uma dos melhores regimes a nível de clima planetária para o seu cultivo, provavelmente. Aliás essa informação é também do conhecimento das autoridades, pois acredito que os investigadores são racionais, e por isso sabem diferenciar o bom do mau.
Sabemos também que gastamos imenso dinheiro a investigar casos relacionados com padjinha em todo o território nacional, quando, por vezes, parte dessas verbas poderiam claramente servir para oferecer refeições quentes às nossas crianças carenciadas ou aplicadas noutras necessidades. Não estamos a dizer que não se deve combater a ilegalidade – claro que não. Mas há certas práticas que não deveriam estar na ilegalidade, é, como já dissemos aqui, o caso de padjinha.


Mais. Sabemos também que os nossos mais jovens (meninos e meninas) continuam cegos e sem perceber os efeitos da droga, das suas consequências, dos conselhos, das motivações enfim toda a informação que lhes pudesse, talvez, fazer tomar uma posição diferente. E, portanto, pensamos que Cabo Verde nunca estudou profundamente os problemas dessa droga na sociedade nem a nível legal ou ainda educacional, aliás nós o que fizemos foi copiar a legislação e adapta-la no país mais nada. Portanto, há todo um conjunto de práticas, acções, convicções e verdades que não foram feitas, isto é, educar os nossos cidadãos para que as suas escolhas sejam sempre as melhores, aquelas que beneficiam a sociedade, a si próprio e às suas famílias. Mas não é dizer às pessoas – fumar mata! Pois continuam a faze-lo com maior naturalidade. Isto é como tudo na vida, você consumiu muito açúcar – ficou doente. Bebeu muito – ficou alcoólico. E, portanto acreditamos que é preciso uma boa educação, acima de tudo. Mas essa educação é efectivamente mostrar às pessoas, que tudo na vida, quando é consumido exageradamente provoca os seus efeitos, mas é igualmente importante dizer às pessoas o que é exagero.
A padjinha acabará por ser legal em Cabo Verde. Pena é que poderá acontecer muito tarde.
Uma das coisas que penso ser razoável defender aqui é a legalização da padjinha no mercado nacional. Para isso, importa algumas ideias:

  • Cultivá-la em ambientes especialmente desenhados para o feito;
  • Atribuir personalidade jurídica às empresas e empresário individual para exploração do produto;
  • Estabelecer quota de produção a que cada empresa está limitada;
  • Como são comercializadas, isto é os aspectos logísticos;
  • Quem as pode comercializar e em que circunstâncias e espaço Comercial (onde?);
  • Criar selo e certificado de garantia;
  • Quem a consome (Idade, personalidade, etc);
  • (…) Etc.

Benefícios para o Estado e a sociedade.
1. Maior controlo sobre a droga, comercialização e produção;
2. Vantagens em receitas fiscais para os cofres do Estado;
3. Venda e Consumo controlado;
4. Reduzir ilegalidades, criminalidade, e outras violências;
5. Menos doentes;
6. Controlo de crianças “correios de drogas”;
7. Maior acompanhamento dos consumidores.

Desafios|ameaças:
I. Tentativa de valorização e legalização de outros estupefacientes;
II. Trazer para o mercado formal a ilegalidade;
III. Combater ilegalidades e irregularidades;
IV. Lavagem de capitais e fuga ao fisco;
V. Tentativa de Exportação sob forma ilegal;
VI. Etc.,

Literacia: ** padjinha = crioulo cabo-verdiano e que significa (traduzindo) Marijuana.

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Atenção: O autor, Adérito Barros, é não fumador e Não aconselha  consumo de padjinha.

Convite pessoal: Convida-mo-los a melhorar o texto e o conteúdo da informação. Para isso basta contactar-me  ou comentar pedindo informação.

By MrBarrosw

5 comments on “Marijuana legal. Para quando?

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