Voltar ou Ficar?

Portugal e Cabo Verde

Ao longo das últimas décadas os estudantes e os imigrantes cabo-verdianos em Portugal, foram criando sucessivamente laços de amizade, simpatia e uma saudável relação laboral que os permitiram alongar o regresso, em muitos casos nunca sucedeu. Houve momentos particularmente conturbado durante a década 70 e inicio de 90 mas nem por isso forçou o regresso, pois o país estaria mal mas ainda assim menos mau do que Cabo Verde. A questão é que todos sabiam de que havia sempre espaço para que houvesse melhorias económicas, e como consequências melhorias no mercado laboral. Com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, em 1986, renasceu também a esperança e a convicção de haveria bons motivos para que se pudesse continuar. Contudo, houve muitos que não pudessem esperar por dias melhores, assim seguiram outros sonhos e encruzilharam o caminho. Re-emigraram para outros países com melhores performances económicas e potencialidades; escolheram França, Luxemburgo, Holanda, Estados Unidos da América entre outros.

Passando todos estes anos, há, agora, uma força maior que está a nos provocar uma forma diferente de lidar com a nossa permanência no território português. Um país que é, para mim, seguramente, a segunda pátria dos cabo-verdianos pela nossa história, aproximação genética e cultural. Esta força maior é nada mais, nada menos, a Crise económica e financeira mas também social que tem vindo a detonar a paciência e a esperança daqueles que cá vivem, incluindo, obviamente os cidadãos nacionais.

Mas há em tudo isso, uma outra preocupação que é de facto saber se: ficar ou voltar? Portanto, quando falamos desta problemática, estamos é a dizer que os estudantes não ficarão certamente de fora, aliás é precisamente sobre eles que vamos focar as nossas atenções. Pois, como é sabido são cada vez mais os estudantes que procuram o ensino superior português para se qualificar ou requalificar académica e profissionalmente. Muitas centenas de estudantes cursados não tencionam regressar a Cabo Verde, as razões são certamente infinitesimais, a título de exemplo poderão estar relacionadas com os gostos e preferências, alteração no estilo de vida, ou várias outras razões que poderiam ser, aqui, acrescentadas por você que está a ler esta problemática.

A incerteza e a permanente mutação e surpresas no horizonte temporal finito da nossa economia, e em todas outras áreas que mexe com o desenvolvimento e crescimento de uma Nação são entre outros, alguns factores muito importantes no momento de decidir qual deverá ser a nossa decisão. Não se sabe lá muito bem o que é que se sucede às nossas acções e atitudes. Mas há decisões que terão que ser tomadas, sobre pena de penalizar-nos a nós mesmos.

 

[Portugal] – Se Ficar? Boa!

Se ficar teremos que trabalhar um bocadinho mais. Aliás, muito mais! Porque, de facto, a situação económica e social está cada vez mais conturbada. Primeiro, porque não há empregos para todos, depois quando surgem são muito difíceis de se conseguir. Mas atenção, pois estamos aqui a falar daqueles que são qualificados. Mas quem serão estas pessoas? São, sobretudo, gentes que tenham uma elevada qualificação Professional e académica, tendo ainda além disso, em média, 4 anos de experiencias relevantes ou nucleares na área de formação. Mas ter elevadas qualificações em Portugal é ter pelo menos Mestrado e/ou doutoramento e várias outras valências e competências, como por exemplo, possuir MBA, Especializações entre outras mais-valias académicas. Para conseguir ganhar espaço aos escassos empregos qualificados disponíveis é preciso além de tudo aquilo que acabamos de evidenciar, ter cunha. É isso mesmo, uma boa cunha, precisa-se!

Portanto, se não tiver essas competências todas + uma boa cunha, terá elevadas probabilidades de nunca vier a ter um emprego para pôr em práticas os seus conhecimentos.

Caso contrário, continuamos a trabalhar  nos restaurantes, obras públicas, nos serviços de limpezas e, por tanto, na precariedade.

[Cabo Verde] – Se Voltar, muito bem! Mas para quando?

Poucos são os jovens formados e/ou em formação que pretendam regressar, como já se disse oportunamente aqui. Portanto, regressar significa abdicar de um conjunto de benefícios e políticas sociais. E, por isso, deixar essa “vida boa” e depois seguir para um país que não nos garanta o mesmo, é sempre motivo de truncar a ideia do regresso, sobretudo, quando se é muito jovem.

Cabo Verde tem dado algum motivo para aqueles que pretendam regressar e refixar a sua residência o faça sem grandes preocupações. O crescimento económico, a especulação, informação e as médias (tecnologias de informação), poderão ser, digamos assim, os principais factores influenciadores no esquema de decisão.

Regressar poderá se traduzir em muitas novas oportunidades e desafios. Mas oportunidade não significa necessariamente ter sucessos ou ser bem sucedido na vida profissional. No entanto, dadas as tendências de crescimento da economia nacional e um conjunto de valores políticos e sociais estáveis, torna-se apetecível para quem o procure.

O desenvolvimento nacional está numa fase ainda muito jovem daí que todos os profissionais o interessam, portanto precisa-se, como é óbvio, profissionais com elevadas qualificações mas também todos aqueles que se acham qualificados, a nível profissional, técnico e superior.

Prevê-se que até 2025 o país continuará a acrescer economicamente, mantendo todo o resto constante. Se não se verificar grandes choques económicos globais na próxima década, então o financiamento à economia das Ilhas não estará comprometida e, portanto, haverá espaço para a modernização económica e competitividade. Quando aqui, dissemos que o país provavelmente irá continuar a crescer, estamos a querer afirmar que a sua decisão deverá ser para ontem. Ou seja, está claro que adiar o regresso, é criar maiores desafios e dificuldades no acesso ao mercado laboral, precisamente porque haverá maior competitividade e melhores profissionais disponíveis para empregos cada vez mais escassos. A procura será mais do que proporcional a oferta, e, portanto, haverá empregos bons apenas para os mais chegados. Logo, irá ser preciso, adicionalmente a um bom currículo, uma cunha.

Voltar ou ficar? Todas as decisões deverão ser controladas e medidas antecipadamente. Um passo em falso poderá ser muito perigoso no seu crescimento profissional. Não se sabe qual deverá ser a melhor opção, mas uma coisa sabemos todos – em Portugal há uma tendência económica e social pouco claro. Nos próximos 20 anos a economia terá uma fraca projecção, tendo como prováveis consequências menos empregos jovens, mais precariedades, menos remuneração, mais taxas e impostos, sobrecargas fiscais, desavalancagem económica, entre outros problemas emergentes. Mas ainda assim continua a ter melhores qualidade de vida para os seus cidadãos. Ao contrário do que se pensa, cabo verde irá ter também imensas dificuldades financeiras, sobretudo porque o país terá que desembolsar milhões de euros aos seus parceiros internacionais fruto de empréstimos concedidos para a construção de barragens, infra-estruturas energéticas, portos, aeroportos, estradas etc.. Mais. Cabo Verde terá problemas sérios de violências e criminalidades, cada dia serão precisos muito mais dinheiros para combater a felicidade dos marginalizados quando deveriam ser canalizados no melhoramento do bem público.

Voltar ou ficar?

Entre os desafios e oportunidades, faça uma boa escolha.

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Nota: Este texto será, posteriormente, alvo de melhoria. Sendo esta primeira publicação surgiu apenas como parte introdutória.

Se tem interesse em  acrescentar alguma melhoria, peça informação, comentando, ou em alternativo contacte-me.

3 comments on “Voltar ou Ficar?

  1. Pois é Adérito,

    Antes de mais, os meus parabéns pela clareza na exposição. Sou um daqueles que tem a opinião de que, enquanto houver oportunidades, devemos aproveitar ao máximo para levar daqui os conhecimentos e competências. Tudo bem, explanaste e bem o tema mas deixaste de lado algumas questões que considero pertinentes: A documentação se ficar e a entrada no mercado de trabalho se for.

    Também em Cabo Verde é preciso ter uma boa cunha e de preferência estar conotado a um determinado partido. Melhor ainda se integrar as listas jotas.

    Tenho amigos que foram e voltaram porque não conseguiram empregos em CV. Tenho outros que tinham lugares garantidos antes de terminar. Enfim, o desafio é enorme e acho que estás a incutir uma boa ideia aos jovens: lutar sempre e procurar ser melhor!

    P.S. Espero-te nas próximas tertúlias porque deste um bom contributo no último. Um grande abraço. Também tenho um cantinho aqui: http://mrvadaz.blogspot.com/

  2. Caro amigo, “mrvadaz”.

    Aceita os meus melhores cumprimentos.

    Como já, aqui, foi dito há imensas coisas que ficaram por dizer. Não se consegue dizer tudo, mas tentei dizer alguma coisa que sirva talvez como linha de orientação.

    Penso que todos os estundantes deveriam pensar diferente sobre este problema e tentar arranjar algum suporte que nos possa ajudar a compreender melhor esta problemática.

    Fico muito grato por poderes me visitar aqui.

    Obrigado por partilhares o seu blog aqui connosco.

    ————————

    Adérito Barros,
    (administrador)

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