Cabo Verde e a vulnerabilidade Económica: Desafios e oportunidades


Desafios e Oportunidade à Economia Cabo-verdiana.

Sidex

Adérito Barros

A Economia cabo-verdiana está cada vez mais exposta à vulnerabilidade económica e financeira global e à instabilidade do mercado de bens e serviços de carácter duradouro, mas também dos “commodities” no sentido macro; o que pode mesmo tornar-se numa abordagem sistemática, se nada em contrário for feito. {minimizar os impactos externos e as tendenciais económicas globais, precisam-se já!}.

Há, no entanto, uma tentativa (muita tentadora) em descaracterizar a económica formal, penalizando-a através das medidas de austeridades [Reduzir os investimentos/gastos e aumentar as receitas através do agravamento dos impostos, ou, ainda surgimento de outros tipos de impostos que produzam efeitos no imediato], o que poderá conduzir o país à recessão económica ou, no limite, à uma superficial depressão.

Regista-se que Cabo Verde apresenta, em média, crescimento bruto anual em torno dos 5%, portanto, é uma taxa de crescimento frágil tendo em conta a sua robustez económica e as oportunidades emergentes no curto prazo. Teme-se, que, com o agravar das crises soberanas dos estados-membros europeus e de outros parceiros estratégicos do arquipélago; poderá, tudo isto, provocar uma onda de financiamento conturbada e ditar um grande tombo ao crescimento da Economia das Ilhas.

Creio que, a “austeridade” não será seguramente o único, ou melhor, um bom caminho para conter as despesas/gastos, aliás os países que procuraram este caminho estão claramente comprometidos com o futuro e com as suas gentes (economia social em profunda crise). Porque essas medidas estão a se revelar demasiadamente penalizadoras à recuperação económica. Basta verem, por exemplo, que das centenas de vezes que fora aplicado [austeridade] em Portugal, Espanha, Grécia e etc., não se notou grandes melhorias nem no acesso ao mercado de capital internacional (obtenção de financiamento através da emissão de bilhetes de tesouro, i.e., dívidas soberanas), nem na credibilidade e nem, ainda, a nível de melhoramento de índice de confiança interno e no clima do mercado laboral.

As verdades são que, tais medidas são executadas com vista ao controlo da conjuntura económico-financeiro e a reposição da confiança. Porém dado persistir uma profunda descredibilidade e desconfiança a nível dos potenciais credores à economia (financiadores), torna-se evidente procurar alternativas credíveis à execução orçamental e o crescimento económico e competitividade nacional. Não poderemos esquecer que o mercado mundial está a ser cada vez mais apoquentado pelos Especuladores (Especuladores são grandes empresas, Bancos e o próprio “Estado”). Portanto, não se pode dar ao luxo de procurar responder as ameaças económicas através da austeridade agravada quando existem outras vicissitudes mais em conta, em caso de Cabo Verde.

Não estamos a dizer que em momento financeiramente controverso, não se faz, fazendo, nada! Como é óbvio. No entanto deveremos, sempre que possível, procurar alternativas mais promissoras e suficientemente capazes de produzir resultados impreterivelmente positivos ou em caso extremo, não negativos. Pensa-se que o arquipélago não deverá seguir o caminho da penalização económica de não investimentos e/ou agravamento de impostos estratégicos, muito pelo contrário, deveremos garantir que haja (I) Fiscalização cada vez mais apertada; (II) maior rigor na disciplina orçamental; (III) cortar pela raiz a corrupção e (IV) promover uma cultura de excelência versada numa educação de qualidade em matérias de empreendedorismo, inovação, tecnologias e tudo mais estratégico na promoção da economia rumo à sua sustentabilidade. Não pensamos que cortar nos investimentos públicos em Cabo Verde seja uma alternativa suficientemente credível e nem tão pouco razoavelmente aceitável, na medida em que a nossa economia é ainda demasiadamente “curto”. Portanto, há, como sabemos, todo um conjunto de outras rubricas que deveriam ser trabalhadas com vista as suas melhorias e reformar sectores de actividades dos serviços e politicas fiscais, energéticas e tudo mais de forma a precaver eventuais fugas e agravamentos.

Umas das questões muito importante para às economias muito dependente económica e financeiramente do resto do mundo (como é inegavelmente o caso de Cabo Verde) deverá ser no sentido de fazer “mais com menos” recursos disponíveis (possíveis), i.e., afectar recursos de forma a optimizar e racionalizar os proveitos. Mas há, ainda, uma transversalidade de acções de melhorias e abrangência racional para todas as outras áreas onde o estado aloca os dinheiros públicos – A título de exemplo, parece-nos justo ”racional” que o governo se diligencie no sentido de “exigir”, legalmente, que os funcionários públicos tenham maior versatilidade e que produzem sempre numa lógica de eficácia e eficiência. Como? Através de formação, intra-empreendedorismo e talvez maior rigor no processo de admissão versus promoção das pessoas que sirvam o interesse público.

Mas há outros indicadores macroeconómico muito importantes que deverão ser corrigidos e melhorados. Temos que: (1) Gestão de Reservas Monetárias (incluindo remessas em divisas estrangeiros), (2) Balança Comercial, (3) Défice Orçamental, (4) Dívidas Externas, entre outros. Corrigir aqui significa preparar às áreas eminentemente contingências, por isso há que rever as políticas e medidas que possam provocar mais profundos impactos no longo prazo, sob pena de estarmos constantemente a ser “esmolados” e socorrer a perdão de dívidas permanente.
Acredito por isso, que o caminho ao desenvolvimento deverá ser aquele que pune exemplarmente as práticas incorrectas, antidemocráticas e corruptas.

As medidas fiscais deverão ser ajustadas (justiças sociais) e revalorizadas (separar o estratégico do “acessório”) de forma a provocar uma nova dinâmica à economia real e ordenar o movimento de mercado de capital e financeiro. Além dos Impostos, os investimentos, também, deverão ser claramente reequacionados e coordenados com mais racionalidade e sustentação. Portanto, não poderemos investir e depois não acolher “bons” frutos, ainda mais quando a liquidez é-nos concedida a título de empréstimos.

O crescimento e desenvolvimento de Cabo Verde estão, por um lado, fortemente penalizados pela desordem económica e pelo contínuo instabilidade no mercado das Energias, sobre tudo, este segundo, quando falamos em abastecimento regular da Energia às empresas e particulares.

Deveremos estar à altura de trazer para o mercado organizado toda a economia informal (economia subterrânea), criando, assim, maiores desafios económicos e melhorias em aproveitamento em sede fiscal através dos impostos sobre o património e o rendimento das actividades conexas. Por isso, creio que, se focarmos as sinergias no controlo do mercado informal e se resolvermos os problemas nucleares do sector das energias poderemos estar a propiciar e potenciar o desenvolvimento do país e elevá-lo, obviamente, à competitividade consigo mesmo e com as demais economias comparativas. Estes são esforços que deverão ser conseguidos já, aliás, deveriam ter sido conseguidos há, no mínimo, 15 anos.

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Adérito Barros,

– Economista –

4 comments on “Cabo Verde e a vulnerabilidade Económica: Desafios e oportunidades

  1. Dou os meus sinceros parabens. Penso ser bom para Cabo Verde jovens como o Adérito Barros. Que desde já sinto-me obrigada a dizer que transpareceu ao longo do texto a sua preocupação e ideias em relação ao desenvolvimento da economia do nosso pais.

    • Viva! Mónica.

      Fico muito feliz por visitar-me aqui, pelo que, desde já votos de continuação.

      O texto (artigo) tenta de alguma espelhar alguma realidade cabo-verdiana. Tentei focar nas partes mais importante, porém é muito difícil traduzir a realidade do país em apenas 2 folhas.

      Espero poder dar continuidade a este trabalho.

      ———

      Adérito Barros,

    • Valdir!

      Fico te muito grato por visitares o meu blog e ler as as minhas crenças, verdades e convicções.

      Continuas a me visitar aqui. Publico regularmente vários textos e ideologias, neste blog, e que nos poderá permitir reflectir sobre vários domínios.

      um grande abraço,

      —————–
      Adérito Barros,

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