Currupção e Incompetência. Não, Obrigado!

Currupção e Incompetência. Não, Obrigado!

As trajectórias de Cabo Verde ao longo dos últimos 10 anos têm vindo a aguçar o apetite dos investidores nacionais e estrangeiros, mas também atrair o regresso dos nossos emigrantes e contrariar a tendência da emigração, e, ainda, atrair uma vaga de imigração dos continentes visinhos (Europa e África). Nota-se, hoje, uma forte procura do mercado nacional, muito embora, demasiadamente centralizada no setor dos Serviços, ou melhor dizendo – no Turismo (Investimentos fortemente alocados nas Ilhas do Sal e Boa Vista). Todos os capitais investidos são naturalmente bem-vindos, pelo menos nas áreas que não façam refém a sustentabilidade do  le petit Pais (Cabo Verde). Porém, dado existir alguma tendência para a corrupção passiva e tendencialmente agressiva na parte estratégica das empresas nacionais e na máquina do Estado, torna-se evidente repensar um conjunto de e investimentos/gastos que já foi feito ou em fase de execução ou, ainda, em calendarização.

Parece-nos óbvio que há que haver uma rigorosa seletividade e maior ponderação em aceitar que se façam pontuais investimentos em detrimentos de outros (Investir sim, mas em áreas estratégicas ao desenvolvimento e sustentabilidade do país). Todos sabemos que uma das nossas potencialidades é, inegavelmente, o Turismo, mas não só! Contudo, não nos podemos deixar de enfatizar que aquele que parece a solução pode muito bem vir a ser um potencial ameaça ao desenvolvimento do país. Não queremos que as nossas potencialidades se juntem aos problemas nacionais, e, portanto pensa-se que deveremos garantir, imperativamente, que se faça exponenciar os parcos recursos, de forma a não pormos em causa a sustentabilidade e desenvolvimento natural (racional) de Cabo Verde no próximo século.

Hoje, é perceptível um acumular de erros nas decisões que outrora foram sendo realizados, mas o mais degradante e controverso é, por conseguinte, verificar que continuamos caprichosos em tudo aquilo que se está a fazer. Continuamos a errar nas decisões porque, talvez, mantemos intacta a inflexibilidade e a incoerência de decisão (responsabilidade, precisa-se!); estamos constantemente a provocar alterações na ordem económica e social mas também ambiental e não estamos de alguma forma, preocupados em medir os impactos subsequentes às nossas infelizes acções.

Acredita-se que há que repensar o comportamento daqueles que tomam decisões, como? Por exemplo, penaliza-los pelas incorretas e incompetentes manifestações e acções levados a cabo aos interesses da nação Cabo-verdiana. Não se é admissível que os Srs. Responsáveis pela gestão das empresas públicas que continuem a esbanjar os nossos dinheiros em favor dos réus (por exemplo), – são centenas de milhares de euros gastos (indemnização) pela má decisão. Mas não nos enganemos, pois isso é apenas a ponta do iceberg. Existem, como sabem, aliás, milhares de euros gastos desnecessários e sem fundamentos económicos possíveis, quando poderiam ser alocados em melhorias de vida das nossas gentes e do nosso país.

Por vezes, verifica-se, elevadas discrepâncias nos investimentos de natureza pública em todo o território nacional e não há força legal capaz de chamar a atenção, do ponto de vista criminal, para que se faça investimentos e, ou, gastos tendo sempre por base de que há efectivamente ganhos reais às populações cabo-verdianas, não havendo esta preocupação, pode-se então afirmar que continuamos cada vez mais longe dos nossos sonhos como Nação. A título de exemplo: Lembremos que foi feito o aeródromo na Ilha Brava e que nunca e em nenhuma circunstância serviu às populações da Ilha, mas não apenas isto: Em várias localidades cabo-verdianas qualquer cidadão comum sabe que há gastos que não fazem sentido, mas que infelizmente, somos nós, todos, (contribuintes) que andamos a pagar, através dos agravamentos impostos indiretos e diretos.

Pensa-se que a excessiva dependência económica face ao exterior (80% do PIB), poderia, por um lado ser resolvida, através da racionalidade dos recursos e optimização dos mesmos, mas também na redução (eliminação) dos efeitos produzido pela corrupção em vários domínios da sociedade.

Continuamos caprichosos e inflexíveis. Por culpa, talvez, de uma má educação dos nossos dirigentes políticos. Creio que, o problema maior está mesmo nas forças políticas, ou melhor, a vossa excelência é “promovida” (apoiada) se fizer alguma coisa legal ou não no sentido de ajudar a força política a chegar a um resultado importante, nas campanhas. Portanto, há uma tentativa em reunir-se a volta daqueles que nos deveu favores não em quem efetivamente possa ajudar o país a avançar um pouco mais.

Vêm críticas sugestivas, naturalmente quando falamos dos partidos, na medida em que em cabo-verde 90% das empresas, instituições e corporações estão de alguma forma intensamente interligados a alguma força política.

Em cabo verde dificilmente se consegue chegar por mérito próprio a chefia (gestão estratégica) de uma empresa pública (ou empresas de capitais misto) não estando envolvidos diretamente na política. Mas isso também passa nas empresas. A sua empresa pode ou não crescer: bastando, por isso, escolher apoiar partido A ou B. Se se mantiver (a empresa) fora deste anel, muito provavelmente, não conseguirá grandes projeções ainda que possa ter boa solvabilidade e performance económica. Corrupção, não obrigado!

Cabo-verde não é um país “corrupção mediana e tendencialmente convergente a pouco corrupto” segundo as citações dos índices de corrupção das nações Unidas. Mas sabemos os porquês. Quando num país em que as informações não se fluem convenientemente, teremos alguma dificuldade em perceber o que realmente se está a passar, in loco. Portanto, nem sempre os dados tornados públicos pelas organizações internacionais são credíveis, ou seja, penso que há adjacente a análise um fator de perturbação aleatória (não comummente perceptível) que poderá ajudar explicar a credibilidade dos números.

Creio que, não haverá nem “democracia pura” nem desenvolvimento e crescimento quando não se consegue controlar amplamente os problemas inerentes à corrupção e, corrigir exemplarmente todas estratégias, técnicas e acções desencadeadas pelos stakeholders e todos os agentes que direta ou indiretamente influenciam a decisão. Assim, acreditamos que, esquivando a corrupção, a incompetência, a injustiça e a (des)responsabilidade estaremos certos de que haverá muito mais orgulho em ser cabo-verdiano.

*Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa ( em adaptação a todos os conteudos qui postado).

Adérito Barros,

– Economista –

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