Ilha do Fogo e Brava

A Ilha do Fogo vai ao encontro do abismo dia após dia, tal como a Ilha das flores (…).

 

Muitas vezes é injusto invocar as razões porque foram feitos muitas coisas pelos dois maiores partidos que vem governando os interesses dos cabo-verdianos. Ora os Movimentos para a Democracia (MPD), ora o Partido Africano Independente Cabo-verdiano (PAICV) cada um a governar ao seu jeito sem terem que dar satisfações a ninguém.

Mas há seguramente uma coisa de que não é nos indiferentes, a forma como vêm sido governados as coisas públicas e os interesses de maior abrangência nacional. Desde que houve eleição legitimado, vincado em democracia (uma democracia frágil pelas razões que todos conhecemos, anos 90) conhece-se enormes avanços macroeconómicos, melhorias nos principais indicadores sociais, como por exemplo, melhoria de qualidade de vida; transparências e índices corrupção; Índices de Desenvolvimento Humano (IDH); alfabetização etc… mas também a nível da economia real.

Não seria contudo de esperar que passado mais de 30 anos em que o país deixou de ser colonizado, em parte, que não tivesse tido atingido os mínimos níveis de desenvolvimento em várias vertentes. O mérito é, pois claramente de todos os governantes, mas apenas em parte. É, talvez, para ser mais pragmático, uma vitória merecida de todos os cabo-verdianos das várias gerações, que ao longo de várias décadas procuraram incansavelmente galgar as fronteiras e ultrapassar todas as barreiras em busca de algo que lhes pudessem ser útil, mas no seu país de origem.

Procuremos a emigração, primeiro em África depois um pouco mais além. Resultados da Emigração? Muitos mortos cujos corpos, em muitos casos, ficaram muito longe da terra que os viu nascer; mas afinal nem tudo correu assim tão mal. Houve, entretanto, quem pudesse vingar da nossa história, aliás, foram muitos com certeza; e que portanto foram investindo os poucos que tinham nas suas terras, criando hoje um Cabo-Verde melhor. Mas esse não foi a única causa maior, sabemos que sem isso não teríamos hoje a felicidade de nos puder orgulhar deste Cabo Verde que procriamos outrora, e que continuemos a todo o custo, através dos mecanismos legais, a procurarmos melhorias em tudo.

Pensa-se que o Cabo Verde que  temos hoje poderá não vir a ser um cantinho de que todos queremos um dia nos orgulhar, na medida em que várias Ilhas têm vindo a ser claramente empurrados ao isolamento e ao passado, pelas piores razões. Vejamos, por exemplo, que a Ilha do Fogo que já foi no passado recente, uma das mais importantes centro urbano de Cabo-verde, hoje está cada vez mais isolado e empobrecido quando as outras Ilhas ganharam avultados investimentos e gastos públicos.

Não podemos cingir à realidade do País, falamos das dificuldades de Ilha do Fogo, mas também estamos todos muitos conscientes das dificuldades que outras Ilhas vêm enfrentando no panorama nacional, ultimamente.

A Ilha Brava que aos poucos está-se, também, a deixar-se cair pela solidão e pelo contínuo isolamento, porque dizem eles (os nossos governantes) que os investimentos não são rentáveis, do ponto de vista económico-financeiro. Mas não se pode analisar os investimentos de carácter público baseado por inteiro em questões financeiras. Há seguramente investimentos ou se quiserem gastos públicos que devem ser executados mesmo com prejuízos, no curto e médio prazo, porque podem representar necessidades primárias. É o caso do aeródromo, de Porto da Furna com mínimos de condições de acessibilidade, em fim de todo um conjunto de gastos que devem ser encarados como o alavanca ao desenvolvimento da Ilha.

Mais do que tudo a Ilha das Flores precisa rapidamente de uma escola Professional mas com elevado padrão qualidade e excelência de ensino ou caso contrário é melhor o nosso governante alocar tais investimentos para a Cidade onde o viu nascer.

Sabe-se que nenhum investidor se propõe a fazer pequenos e/ou grandes investimentos naquela Ilha, porque não se garante infra-estruturação para que haja laboração em condições dignas e prósperas. Uma Ilha da Brava que foi tão importante para a nossa história, hoje é apenas uma pequena Ilha vizinha da Ilha do Vulcão que, este segundo, infelizmente, também se encontra ao mesmo rumo.

São Ilhas que compartilharam desde sempre histórias muito semelhantes, são por isso elas as mais devastadas pela dificuldades económicas e sociais em todo o Cabo Verde. Não por compartilharem a mesma história mas porque o destino que os nossos políticos as traçaram foi nesse sentido, um sentido para o abismo.

Porque estávamos, no inicio deste artigo, a falar sobre os nossos governantes, lembramos que esmagadora maioria deles são provenientes de cidade com maiores expressões a nível populacional, basta ver que quem normalmente ganhe as eleições para o executivo são gentes de Santiago e por isso estão demasiadamente interessados em investir naqueles concelhos mais populosos com objectivos claramente de interesses pessoais (acima de tudo), assim muitas das Ilhas que não tendo grande representatividade a nível governamental ficam quase sempre à mercê da generosidade das organizações não Governamentais e pequenas cooperações nacionais e internacionais ou ainda dos seus concidadão que se encontram emigrados.

Pensa-se, por outro lado, que o Governo está a querer deixar que a Ilha continua a ser governada pelos emigrantes na medida em que 80% das famílias, com grande enfoque para as monoparentais, recebem um importante apoio financeiro e também de bens consumo primários, e em muitos casos dependem quase que exclusivamente das remessas dos seus familiares então emigrados para fazerem face as suas despesas correntes.

Lembramos que essas Ilhas fazem parte de Cabo Verde, de um Cabo Verde maior, mas de um Cabo Verde quiçá melhor.

Fico triste, aliás muito incomodado por nada poder fazer, pelo menos para já.

Vejamos que as riquezas regionais são infinitas, na medida em que os recursos que Ilha dispõe pode claramente ser duplicados, triplicados e exponenciadas etc.,  ou como quiserem (…) Mas uma coisa sei Eu, não podemos continuar com as mesmas políticas; não, isso não!

Muitas vezes pensamos que melhor do que aquilo ou aqueloutro dificilmente podemos fazer, pois não; não nos parecem que um verdadeiro cidadão seria capaz de fazer tão mal as coisas públicas como alguns dos nossos governantes o fazem. Estão sistematicamente a obstruírem as nossas histórias, ora através dos nossos principais centros urbanos (de referir que a Cidade de São Filipe têm vindo a desmoronar –se  dia a pós dias, mas que nada se têm feito em contrário para impedir tal efeito. Mais ainda, vejam que são construídos edifícios novos que contradizem perfeitamente a sua paisagem arquitectónica, etc.).

São Filipe é uma cidade Património e o edil deveria se sentir parte deste valor inestimável que ela representa em Cabo Verde, mas muito pelo contrário nada se têm feito em melhoria, alegando quase sempre dificuldades na transferência de liquidez por parte do poder central. Não basta pensar nos efeitos que alguns investimentos privados representam hoje, mas sim em todas as variáveis futuros, i.e., garantir a sustentabilidade do próprio projecto. Com o perfil tradicional dos sobrados, isto é útil para a exploração do Turismo? Se sim, porque então provocar a sua destruição.

Tal facto também acontece com Vila Nova da Sintra na Ilha das Flores e que portanto não é de facto apenas coisa nossa (Ilha do Fogo).

Invocar tais reacções, não implica necessariamente conjugar todo um conjunto de sinergias para provocar melhorias, queremos acreditar que elas estão patentes e que carecem de atenção.

Há praias lindas ao longo de toda a costa da Ilha, mas de que servem para o desenvolvimento do Fogo? Há bom Café, pois há! O que ê que estamos a ganhar com isso? Há Vinhos, aguardente e grogu, poderíamos aumentar a nossa exportação para as outras Ilhas e para à diáspora? Sim, poderemos… mas como?

Nota: Este texto foi publicado, primeiro em Forcv.com e depois nesta página.

By MrBarrosw

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