Uma Independência Prematura | Uma independência da classe política e não dos cabo-verdianos

Uma Independência da Geração Cabral

Os verdadeiros vitoriosos da independência do país foram as classes políticas – a Geração Amílcar Cabral, NÃO foram os Cabo-verdianos!

Hoje mais do que nunca devo dizer que devemos claramente perceber o que levou-nos a ser um País INDEPENDENTE, quando poderíamos ser um país puro e simplesmente LIVRE. A classe política do Grupo Cabral, a qual passo a chamar Geração Cabral, decidiu-se levar ao rubro as suas ambições políticas de tal maneira que se conseguiu a Independência de Cabo Verde, no entanto outros grupos de Cabo-verdianos talvez não “quisessem” a Independência propriamente dita, afinal já se percebia das dificuldades que o país tinha a nível de recursos disponíveis.

A geração Cabral não recuou na decisão, assim efectivou-se a tal Independência, que seria para eles, na minha opinião, uma Vitória política! Mas esta vitória traduzia-se claramente em oportunidades para o país do ponto de vista desta classe política. Porém, não se sabe lá muito bem quem tirou as vantagens com a Independência do Território Nacional; uns dizem que foram os Cabo-verdianos, outros dizem que apenas uma pequeníssima parte dos cabo-verdianos, mas Eu diria mesmo que quem saiu bem dessa batalha foram, sem margens para dúvidas, os políticos; os seus filhos; as suas famílias, enfim os seus amigos etc.
Conforme é sabido, os sacrifícios feitos pelos cabo-verdianos para se conseguir alguma coisa para comer eram tremendamente difíceis, claro que as 3 refeições ao dia, dentre milhares das famílias seriam ainda mais difíceis, ou melhor dizendo quase que impossível de se conseguir.

Aqueles cabo-verdianos que puderem imigrar – não hesitaram. Mas tem um problema, para emigrar eram precisos dinheiros, quanto mais não seja, para cobrir as despesas com as Viagens, contudo para se conseguir um trabalho, na altura, não era nada uma tarefa fácil, assim se não tivéssemos uma família próxima da classe política, como devemos calcular era quase que impossível conseguir o trabalho – conseguia-se trabalho na verdade, mas por conta própria: Acartar “brita”; Agricultura, pesca etc.

A Independência de Cabo Verde limita-se apenas a classe política e…nada mais!

Para àquelas pessoas que, como Eu, aliás muitas outras pessoas que não tivemos grandes “oportunidades” na vida, sabem muito bem do que estou aqui a dizer. As famílias mais pobres, ainda que residentes nas zonas urbanas, nunca se conseguiram ter a sua dignidade como um factor de sucesso, a única grande “sorte” para o emprego era ter um familiar ou amigo da classe política. As Bolsas de Estudo, nunca chegam a ser para as famílias com maiores dificuldades económicas, os seus filhos sentiam-se obrigados a interromper os estudos e muitas vezes nunca mais puderam regressar.

Quantos são os Filhos da Geração Cabral que não tiveram Bolsas de Estudo? São esses que beneficiaram com a Independência de Cabo Verde, não são os Cabo-verdianos.

Os Cabo-verdianos nunca precisariam de uma Independência, bastando por isso a sua Liberdade porque de fato, o Governo quase pouco ou nada fez para que tenha realmente valido a pena.

Continuamos a Imigrar – porque continuamos a sofrer, continuamos a chorar – porque continuamos com as dificuldades de sempre, embora menos expressivos. Lembro-me perfeitamente, quando ainda estudava na Escola Primária, onde teria que percorrer muitas dezenas de quilómetros a pé para poder ir aprender algumas coisas, mas quando se chegava aos níveis em que teria, digamos assim, o 12º.Ano – uma oportunidade para continuar os Estudos para níveis mais avançados, não continuava simplesmente; o que acontecia normalmente era que o grande sonho ia para “a água abaixo” – não haviam apoios do Governo.

O povo Cabo-verdiano é lutador por natureza e assim o fez ao longo sua história mas tal não justificaria tornar-se Independente, a nossa Independência é o nosso Campo de Cultivo, é nosso Mar, a Morabeza etc., não os representantes legais, que só aproveitaram a Independência para “encher o papinho” à custa de dos povos trabalhadores e dignos.

Não haveriam problemas em ter um Cabo Verde Livre mas não Independente, mas o contrário já provou ser um fracasso. Um fracasso porque quando vemos para os outros e perguntamos e se não fossemos Independente economicamente e teríamos todas as outras oportunidades tal como tem as outras Ilhas Macaronésias (Madeira, Açores e Canárias). Quando se fala aqui da Independência, fala-se de oportunidades, de melhores condições de Vida, de maior autonomia nacional, e consequentemente um futuro risonho e realista para todos os Cabo-verdianos, mas longe disso, nós não sabemos o que é ter oportunidades verdadeiramente.

E se Cabral estivesse ainda vivo? – Sabe-se lá qual seria o regime político que tínhamos hoje, seria Democracia? Talvez há quem ousa em dizer que não seria “ditadura” mas é uma incógnita…

Os nossos pacientes morrem todos os anos porque não tem dinheiro para comprar medicamentos, mas não estou a falar de medicamentos caros; as nossas crianças não têm uma alimentação digna, pois continuem a sofrer com muitos problemas de nutrição e consequentemente da sua performance na Escola; Os mais velhos andam quilómetros a pé para ir ao Hospital porque o dinheiro não chega para o transporte, mas estou a falar de pouco dinheiro meus irmãos, esses tentam poupar na alimentação para puderam comprar medicamentos e cedo de mais – morrem! Por culpa de uma má decisão política daqueles que pensaram em pequeno e agiram meramente por interesses pessoais.

Ainda dizemos, estamos bem!..e viva a Independência. Dizemos viva a Independência porque os outros têm um bom Carro e ganham muito dinheiro ao explorar os cabo-verdianos, e, porque esta pequeníssima parte da sociedade vive bem, nós também dizemos o país está bem – logo dizemos – já valeu a pena a Independência, e os outros?

Há uma tentativa frustrada em dizer que estamos bem, alegando que os outros estão muito piores do que nós – Assim, dizemos: Ah Cabo-verde está muito melhor do que Guiné-bissau, São Tomé e Príncipe e ainda muitos outros países da África, pois está…

Outra tentativa igualmente frustrada é dizer: Pah apenas passaram 35 Anos e isto é muito pouco tempo para o país mostrar o quanto foi importante as suas decisões politicas – dizemos: Estamos bem!
Mas dizemos “Estamos bem” porque comparamo-nos com os países africanos, os mais pobres. É isso que entendemos estar bem? Comparando-nos com os piores dos mais piores do Mundo. E, Se nós nos comparássemos com os arquipélagos que viveram uma história semelhante. O que diríamos nós, afinal? Estamos bem ou assim assim? A ver veremos, e se fossemos a conhecer de perto o nosso país e andar de Bairro a Bairro e de lés-a-lés, para ver o quanto é penoso ver os cabo-verdianos a sofrerem as demais conseqüências, teríamos outras ideias certamente.

As vezes caímos na tentação de dizer que Estamos Bem, porque os dados estatísticos os dizem. Na verdade, os dados apenas constituem uma orientação para a compreensão da natureza da análise.
Passaram pouco mais de 35 Anos, como já disse não é de todo o mais importante evidenciar os erros ou os resultados. O que já se fez é apenas coisa do passado, mas muito recente. Os cabo-verdianos nunca pararam para pensar porque é que o país tornou-se Independente, também esquecemos de perguntar se ganharíamos mais ou menos com isso, ou talvez gostaríamos de perguntar, porque é que hoje estamos a querer a nos aproximar de Portugal e… Europa, quando já fomos?

Nós simplesmente dizemos, …ah e tal hoje o país está muito melhor do que há 35 anos, pois está… mas não seria de esperar o pior, não acham? Quer dizer, é mais do que óbvio que nos próximos 20 anos, em 2020, que o país esteja melhor do que em 2011, não seria também de esperar o pior, mesmo quando não se faz muito. Caramba, não é construir um aeroporto, um porto, uma Estrada asfaltada, não é por aí que vamos ver se Cabo Verde está ou não melhor, então e a miséria, os jovens desempregados, as inseguranças e a criminalidade, a fome e os emigrantes que ajudam as suas famílias etc., esses não contam? Mas que raio de ideia é isso, não podemos pactuar nisto e pensar pequeno pah. É verdade que estamos melhor mas isso é óbvio, pois mas também de certeza que pior do que há 35 Anos seria impossível de imaginar, não é verdade? Pelo menos Eu não imaginaria um Cabo Verde pior após 35 anos.

As ideias aqui traduzem-se simplesmente numa tentativa em perceber a engenharia política que foi desencadeada para Cabo Verde no processo da sua Independência, não de um ponto de vista restrinto e limitado mas sobretudo analítico-extensivo, e claramente perceber até que ponto isto beneficiaria o povo cabo-verdiano.

Mas ao mesmo tempo, tento perceber porque então mataram o patrono Cabral, quando estaria ele a lutar dignamente para que os países fossem Independentes. Porque é que o patrono Cabral queria os dois países Independentes? Ou então, questionava assim: O Patrono Cabral queria uma Guiné-Bissau Independente e um Cabo Verde Livre ou seria ao contrário? O que é que ele entendeu ser vantagens para a Independência de Cabo Verde? O país tinha recursos suficientes que o permitisse auto-sustentar-se? São essas questões que me parecem razoáveis entender e claramente verbalizar responsavelmente sem por em causa as ideologias e a Kabuverdianalidadi.

A ideia também, por outro lado, serve para perceber que as más decisões políticas tem as suas consequenciais eminentes, que pode passar, numa primeira instância, para as políticas externas e depois para os seus cidadãos.

Não esqueçamos, contudo que há 35 anos, a pobreza, o sofrimento, em fim tudo que se possa dizer um problema da sociedade, afetou direta ou indiretamente todos os países, não há rigorosamente excepções. Dizer que Cabo Verde sofreu mais, ou menos é igualmente dizer os outros também sofreram.
Eu não sou opositor da INDEPENDÊNCIA do Território Nacional, sou é apologista da sua LIBERDADE. Se tivéssemos Ouro, Diamantes ou outros recursos igualmente valiosos e que poderiam beneficiar o povo Cabo-verdiano, é claro que diria sim a Independência, dirá mesmo viva a Independência.
Os sacrifícios são tão necessários quanto aos seus efeitos… se tal não resultar, então não valeu a pena, simplesmente os nossos sacrifícios.

Conclusão:

As investigações levados a cabo ao longo das mais recentes publicações, pode perfeitamente confirmar que os Cabo-verdianos agem por impulso às emoções e descartam as razões pela qual as coisas aconteçam.

“A ideia aqui constitui apenas uma análise científica, não tendo por vista qualquer questões baseadas nas políticas internas do País, apenas para alertar que os novos desafios implicam maiores responsabilidades e compromissos e perceber se no futuro continuem as nossas decisões política a dar frutos não é apenas nós sentimos pessoalmente realizados e elogiados mas é saber se o povo ira ganhar com as nossas decisões políticas.”

*** Texto adaptado ao Novo Acordo da Língua Portuguesa em Vigor***

Autor: Adérito Barros, 18 -Março -2011

By MrBarrosw

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